Este é um blog em conjunto de AnaLaura e meleu, onde nós escrevemos sobre coisas que se passam em nossas cabeças e achamos que devem ser exteriorizadas.
sábado, setembro 07, 2013
Resenha de O Barão nas Árvores
Tenho receio de fazer resenhas fazendo revelações do enredo. Mas quando a revelação é sobre algo que acontece bem no comecinho do é mais fácil de ser perdoado! :)
Cosme é primeiro filho e, portanto, herdeiro do Barão de Rondó. Com 12 anos ele se revolta com a família e sobe numa árvore, e a partir daí nunca mais pisa na terra. Se soubermos apenas isso antes de ler, pode-se supor que essa revolta tem um cunho político. Mas ao ler o livro percebemos que essa revolta é quase uma birra infantil. E isso é uma das coisas que eu achei mais bacana.
O livro conta a história de Cosme desde o dia da sua revolta até a sua velhice, narrando os conflitos, situações e dilemas típicos de cada idade. Mas, é claro, tudo isso com a peculiaridade de ser uma pessoa que decidiu viver sobre as árvores e nunca mais pisar no chão.
Além de falar da vida do Cosme temos os seguintes temas abordados: literatura; banditismo; amor; revolução francesa; Napeleão Bonaparte; relações familiares (pai, mãe, irmão, irmã); república; maçonaria; etc.
Esse livrou entrou para a coleção dos meus livros favoritos. Recomendo!
segunda-feira, agosto 26, 2013
micro resenha O Cavaleiro Inexistente
Leitura rápida, bem humorada e leve.
Indico para quem curtiu Dom Quixote e o filme Monty Python em Busca do Calice Sagrado. Humor de cavalaria, com um toque de absurdo.
quinta-feira, agosto 01, 2013
mini-resenha - A Invenção de Hugo Cabret
Não estou apenas querendo dizer aquele velho clichê de que ler um livro é melhor do que assistir a sua adaptação cinematográfica. O caso é que este livro é um pouco mais peculiar... A história é contada não somente em prosa (frases, parágrafos, etc.). Em alguns trechos mais dinâmicos a história é contada somente por imagens. Veja bem, as imagens não aparecem para ilustrar um trecho que está escrito, elas fazem parte da história, elas contam aquela parte da história. Não dar atenção às imagens é perder parte da história. E não há explicação alguma de que a história é contada assim, o leitor simplesmente percebe. Achei isso muito bacana e original (não sei se posso falar que o autor foi criativo e original ao fazer isso, mas eu nunca vi em outro livro).
Ah sim: as ilustrações são bem bonitas!
quarta-feira, julho 31, 2013
Resenha - A Insustentável Leveza do Ser
A maneira que ele escreve faz com que o livro pareça uma conversa de bar. Explico: quando estamos batendo papo, contando um causo, não contamos simplesmente que aconteceu o fato 1, depois aconteceu 2, em seguida aconteceu 3, e finalmente aconteceu 4 e acabou. Na prática a gente sempre para um pouco a história e começa falando de outra coisa.
Um exemplo hipotético do nosso dia a dia:
Duas vizinhas se encontram e batem papo.
- Menina, eu estava indo ao banco pagar a conta de luz e veio uma moça, super bem vestida e simpática, começou a puxar papo. E no meio da conversa, quando estávamos numa rua deserta, ela me assaltou!
Só com essa frase já dá pra essas duas vizinhas conversarem o resto dia falando de preconceito (pois a senhora não esparava que uma moça bem vestida e boa de papo pudesse ser uma assaltante), de como os bancos estão sempre lotados e ninguém respeita o fato de que os idosos tem preferência nas filas, ou falar de como a conta de luz está ficando mais cara... Depois de falar de tudo isso a senhora que foi assaltada termina contando como foi parar na delegacia para fazer o B.O.
Essa seria minha analogia ao livro do Kundera. Ele fala do amor entre Tomas e Tereza, e Franz e Sabina. Mas calma! Não desanime! Não é uma história de amor! Quer dizer, é sim. Mas é muito mais! Não é uma história de amor piegas, para menininhas namoradeiras... (tenho que ressaltar isso, pois se eu lesse uma resenha dizendo que "a insustentável leveza do ser" é um livro de amor provavelmene eu nem teria lido)
O Kundera usa essas relações amorosas pra falar de muita coisa: filosofia, política, história, Primavera de Praga (invasão das tropas soviéticas na República Tcheca em 1968), Beethoven, comunismo, mitologia, comportamento humano, literatura, um pouco de erotismo... E tudo isso no meio da história de Tomas, Tereza, Sabina e Franz.
Outra característica que torna a narrativa do Kundera parecida com uma conversa informal é a cronologia da história. Ele de repente conta uma coisa lá da frente, depois volta como se tivesse lembrado naquela hora de contar uma coisa que ficou, depois conta sob um ponto de vista de outro personagem...
Enfim, recomendo. Mas aqui vão algumas ressalvas.
Livro indicado para:
- quem gosta de filosofia, história, política e coisas do gênero;
- quem é adulto ou já tem uma certa "bagagem", para poder desfrutar do livro de maneira mais completa;
- quem nunca amou;
- quem não gosta de filosofia, história, política e coisas do gênero
Resenha - Desventuras em Série
Três irmãos perdem os pais num incêndio misterioso que consome toda a mansão onde moravam. Os órfãos são: Violet, uma adolescente que gosta de inventar coisas; Klaus, um pré-adolescente que gosta muito de ler; e Sunny, uma bebezinha que gosta muito de morder (?!). Em cada livro eles vão mudando de tutores e sofrendo com as tentativas do FDP do Conde Olaf de ficar com a herança dos órfãos.
A seguir relaciono algumas características que me fazem gostar desta série:
- os órfãos usam suas habilidades para se livrar das enrascadas (inventar, ler e morder);
- vez por outra alguém morre (tá, os personagens principais não morrem, mas nem sempre se dão bem);
- o narrador é uma espécie de personagem repórter da história e em vários trechos tem umas sacadas/piadinhas (comentários, alfinetadas, definições de expressões, aforismas, e coisas do tipo);
- a maioria dos personagens são bastante caricatos, ou seja, suas características são bastante exageradas (o conformado, o petulante, o metido a rico, o otimista, o que tem medo de reclamar, etc) e isso é muito interessante para que a criança-leitor identifique alguns conhecidos com as mesmas características.
- tem um mistério a ser resolvido: o que causou o incêndio da mansão dos Baudelaire.
O autor é Lemony Snicket e no Brasil os livros foram publicados pele Companhia das Letras.
segunda-feira, julho 22, 2013
pseudo-resenha: O BGA
- Gostosinho de ler com/para o filho.
- É divertido. Uma diversão infantil, é verdade. O nome dos gigantes bem legal, como Esmagamãe, Estripapai, etc.
Livro não indicado para:
- Quem não gosta de literatura infantil.
- Quem não tem filho(s).
Curiosidade:
- Roald Dahl é autor também de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" e "Matilda". Sim! Matilda é aquela garotinha do filme que carrega livros num carrinho.
quarta-feira, abril 24, 2013
Resenha - As Cronicas do Gelo e Fogo
Fazendo uma rápida comparação com O Senhor dos Anéis, posso dizer o seguinte: apesar de As Crônicas do Gelo e do Fogo ser muito mais volumoso e mais "adulto" (ou seja, contem certas doses de violência e algumas poucas de sexo), é uma leitura bem mais fácil do que O Senhor dos Anéis.
Conversando com um colega sobre O Senhor dos Anéis, ele reclamou: você lê, lê, lê e não acontece nada! Quando li Tolkien, lá nos meus 16-17 anos, eu era louco para ter os livros de O Senhor dos Anéis de tanto que lia sobre eles nas revistas de RPG. E aí quando tive a oportunidade eu li tão feliz que nem reparei nesse "não-acontece-nada". Simplesmente curti a leitura e as descrições detalhadas do Tolkien.
Acredito que o G.R.R. Martin se ligou nisso de "não-acontece-nada"... Em As Crônicas do Gelo e do Fogo (que raio de nome grande!) está sempre acontecendo alguma coisa. Mas também, se ele fosse tão
Outra tática legal que o Martin usa para prender a atenção do leitor e evitar um possível marasmo, é ficar a cada capítulo mudando de "personagem-foco". Pelo que andei googlando estes personagens são chamados de PoV characters, ou personagens ponto-de-vista (tradução livre). Dessa maneira a leitura não fica enjoativa. Pois um capítulo acompanhamos o Eddard Stark e sua preocupação com a honra, fazer as coisas certas, etc. Em outro capítulo acompanhamos a Sansa Stark e seu sonho de ser uma donzela da corte. Também tem o Tyrion Lannister, o anão de língua afiada. Tem o Bran, Catelyn, Arya e por aí vai...
Concluindo: se você gostou de ler Tolkien, gosta de histórias com ambientação medieval, e gosta de uma história bem contada, recomendo a leitura de As Crônicas do Gelo e Fogo!
Só tem um porém: a história de "As Crônicas..." ainda não terminou de ser escrita! G.R.R. Martin ainda está escrevendo os dois últimos livros (totalizando 7).
quinta-feira, agosto 23, 2012
Comentários sobre o livro Desenhando com o lado direito do cérebro
É engraçado que tantos outros livros sobre desenho que a gente costuma ver nas prateleiras de livrarias, não tem tanto texto como este. O livro tem bastante texto, portanto pessoas que gostam de desenhar mas não gostam muito de ler podem torcer o nariz. Mas eu digo que este texto é muito útil, a autora vai mudando nossa maneira de pensar e enxergar o que queremos desenhar. Em vários momentos, ao concluir alguns exercícios do livro, eu olhava o meu desenho e ficava intrigado: "caraca! eu não sabia que era capaz de desenhar assim!".
Eis um trecho do livro que ao meu ver ilustra muito bem a proposta do livro inteiro:
Para a maioria dos que começam a aprender a desenhar, a parte mais difícil é acreditar nas suas visualizações de ângulos e proporções. Muitas vezes presenciei alunos fazendo mais de uma vez uma visualização e balançando a cabeça depois, chegando até a dizer em voz alta: "Este ângulo não pode ser tão agudo assim" ou " esta proporção não pode ser tão pequena assim".Tente pensar num cubo. Você sabe que todos os ângulos do cubo são retos (90°), mas na hora de desenhar um cubo, seus ângulos não são retos. São coisas desse tipo que o livro vai tentando ensinar em seus exercícios.
Depois de um pouco mais de experiência no desenho, os alunos conseguem aceitar as informações que recebem através das suas visualizações. Basta você aprender a "engoli-las" no início, por assim dizer, e não ficar cogitando em cima delas. Digo para os meus alunos: "Se vocês estão vendo assim, é assim que vocês devem desenhar. Não se questionem quanto a isto."
Outra técnica que aprendi neste livro e me ajuda muito nos meus desenhos de observação é a técnica dos espaços negativos. É uma maneira de conseguir enxergar exatamente o que não é o objeto que você quer desenhar, e sim o espaço em volta dele
Parece uma grande bobagem de tão fácil: "Para desenhar bem basta desenhar exatamente o que você está vendo. Toda informação que você precisa está bem na sua frente." Pois é, algumas pessoas tem aquele talento nato para o desenho, e conseguem fazer isso muito bem sem precisar ler um livro desses. Mas eu não sou um artista de berço, e meus desenhos (pelo menos a meu ver) melhoraram muito após ler e fazer os exercícios deste livro.
Eu sempre gostei mais dos desenhos no estilo cartoon e gosto de desenhar mais nesse estilo. Mesmo o "Desenhando com o lado direito do cérebro" sendo voltado para desenhos de observação, eu notei melhoras nos meus desenhos estilo cartoon. Na verdade o que aconteceu é que eu me tornei um melhor observador, ou seja, se eu consigo enxergar um objeto (ou um cartoon), então conseguirei desenhá-lo (ou pelo menos desenharei algo que se pareça com ele).
domingo, agosto 19, 2012
desejo e posse
Se está curioso, recomendo a leitura. Duvido que se arrependa!
Pois bem, a motivação desse post na verdade é citar uma frase do Nelson que me deixou admirado com o seu poder de síntese:
"Todo desejo, como tal, se frustra com a posse."
Tente dar uma googlada por aí para descobrir o contexto em que ele utilizou esta frase.
virtude
versão html: http://machado.mec.gov.br/images/stories/html/contos/macn005.htm
versão pdf: http://machado.mec.gov.br/images/stories/pdf/contos/macn005.pdf
Ler Machado com mais de 30 anos é diferente, o deleite é maior! ;-) Pois bem, acontece que nas minhas leituras anteriores do conto A Cartomante eu não tinha me atentado para uma frase que a personagem Rita fala:
"A virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo."
Fiquei impressionado como isso sintetiza um conceito que eu tenho e que me tomaria muitas palavras para explicar.
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Para pagamento eu uso o paypal.
Fica a dica. ;-)